sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O meio determina


Ela queria ser a princesa, sempre sonhou com o vestido lilás.
Mas esse papel já havia sido ocupado... de fora é que ela não ia ficar, mas não se esqueceram dela, já que o importante é participam, lhe deram o papel de bruxa.
Ela relutou. Não era para ela, não servia, não combinava.
Mas ninguém disse que ela tinha escolha, o teatro já havia sido escrito, o seu papel era apenas seguir as linhas tortas do texto quase impossível de ler.
Lhe foi entregue o grande nariz postiço e um chapéu preto. Não se engane pensando que o chapéu era bonito, nem ao menos era agradável; o seu preto era desbotado, surrado...como se por ali já tivesse passado muita maldade, muitas histórias.
Aos poucos tudo ia mudando em sua vida, ser uma bruxa já vinha com uma serie de adjetivos, e nenhum deles se encaixa no socialmente aceitável.
As súplicas dela, ninguém ouvia.
A mocinha parava para observa-la, mas quando lembrava da maça envenenada que um dia ela ganhara, tratava logo se de afastar;
O príncipe, a quem todos chamavam de bom cavaleiro e gentil, nem se dava ao trabalho de olha-la, não era nada pra ele.
Diante de tudo, diante de todos, ela começou a entender que bruxas não são bruxas pelas roupas, pela aparência ou pelas atitudes; bruxas só existem porque as pessoas criam elas...
E de donzela inegável, ela se tornou uma bruxa temida. Sem escolhas, o seu papel fora cumprido...

Um comentário:

Daniela Fernanda Back disse...

Realmente criamos o perigo e o ruim em nossas vidas.
Parabens pelo otimo texto :D
beijos